A porta não deveria existir. Nunca estivera ali antes — branca, encostada à parede do quarto. Durante dias, forcei-me a desviar o olhar. Bastava um relance e sentia-a puxar-me. Não o corpo, mas a mente. A curiosidade tornara-se uma pressão constante. Não conseguia dormir. Pensava nela, mesmo de olhos fechados. Um dia cedi. Aproximei-me, cautelosamente, e abri-a. O que encontrei do outro lado não possuía forma nem lógica. Olhei apenas por um instante antes de a bater. Deveria ter sido o fim. Agora, a porta não importa. Continua aberta na minha cabeça. Vejo-a sempre que pestanejo. E algo observa-me de volta.
-M



Incrivel como sempre!!