No início, não acontecia sempre. O som surgia apenas quando esperava por algo: uma mensagem, uma chamada, uma resposta. Como um ruído fino que se instalava no fundo da casa. Se o silêncio fosse quebrado, desaparecia. Senão, perpetuava-se. Comecei a atrasar respostas, a desligar notificações. O rumor ajustava-se pacientemente. Aprendi os intervalos, sabia quando se aproximava. Percebi que só existia na ausência. Ao fim de dias sem interferência, tornou-se constante.
Agora, se o telemóvel toca, não o ouço. Se alguém chama, não respondo. Apenas o som permanece. Abraça-me. A minha única companhia. E o mundo continua — completo —, lá fora
-M



O meu favorito. Adoro este.