Não precisava de ser inteiro para existir. Movia-se, sentia frio, pensava em fragmentos coerentes. Ainda assim, havia um imperativo silencioso. Completar-se.
Retalhado, começara por um braço, arrastando-se em busca da totalidade. Outras partes foram-se seguindo. Nem sempre as que procurava; encaixavam apenas porque havia espaço suficiente para forçar o corpo a aceitá-las. Ossos serviam de cunhas e tendões de ataduras.
Errado, mas a falta era mais intolerável.
Cada novo membro criava pressões que só mais tarde se revelavam. Ainda assim, persistia. Não por necessidade, mas porque a carne aceitava quase tudo e cada adição era menos um espaço vazio.
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