A porta abriu sem resistência, como se não estivesse trancada há anos, e a casa estendeu-se à minha frente. O cheiro era o mesmo, apenas deslocado, como uma memória alheia. Percorri o corredor contando os passos, à espera de ouvir dizerem o meu nome. Toquei levemente na parede. Quente. Vibrante. Atrás de mim, a porta bateu. A casa tinha aprendido a esperar. Sabia que eu voltaria. Agora não precisava de mais ninguém. As janelas escureceram. O tecto desceu sobre a minha cabeça. Percebi que cada parede se movia para me envolver num suave abraço. Satisfeita, a casa fechou-se sobre si.
-M



Adoro. Grande trabalho!!